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Outubro Rosa: diagnóstico precoce muda o desfecho do câncer de mama

O INCA estima 78,6 mil novos casos por ano no Brasil até 2028, cinco mil a mais que na projeção anterior. Quanto antes o tumor é encontrado, mais leve tende a ser o tratamento.

O câncer de mama é o mais frequente entre as brasileiras, depois do câncer de pele, e o que mais mata mulheres por câncer. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos por ano entre 2026 e 2028, segundo a Estimativa 2026-2028. A projeção anterior, para 2023, era de 73.610 casos. Em 2024 foram 20.849 mortes, de acordo com a página do INCA sobre a doença, que cita o Atlas de Mortalidade por Câncer.

A cartilha Câncer de mama: vamos falar sobre isso?, do INCA e do Ministério da Saúde, lembra que um em cada três casos de câncer pode ser curado se descoberto logo no início. O material observa que muita gente adia o diagnóstico por medo ou desinformação, e que falar abertamente do assunto ajuda a quebrar esse ciclo.

O que observar

Segundo a cartilha, o principal sinal é um caroço endurecido, fixo e geralmente sem dor, presente em mais de 90% dos casos. Também pedem avaliação alterações no mamilo, saída espontânea de líquido, pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja, e pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço.

Pessoas que passaram por mastectomia, mas não tiveram a glândula mamária totalmente removida, devem manter o rastreamento regular, com exame clínico anual e ultrassonografia mamária. Homens trans que não fazem terapia hormonal devem seguir as mesmas recomendações de rastreamento das mulheres cisgênero, com atenção especial à presença de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2. Já para mulheres trans em uso de terapia hormonal feminilizante, ou que tenham mutações nesses genes, o rastreamento deve ser individualizado, de acordo com os fatores de risco e o histórico familiar. Em todos os casos, vale conversar com um profissional de saúde para definir o melhor acompanhamento.

Qualquer caroço deve ser investigado. Nas mais jovens, a investigação vale para o que persistir por mais de um ciclo menstrual. Nem toda alteração é câncer, mas todas precisam ser avaliadas depressa. A maior parte dos casos é descoberta pelo próprio paciente, e por isso o INCA recomenda olhar, palpar e conhecer as próprias mamas no dia a dia.

A mamografia

A cartilha recomenda mamografia de rastreamento a cada dois anos para mulheres de 50 a 69 anos. As orientações já avançaram desde então. O INCA hoje indica a faixa de 50 a 74 anos. Desde setembro de 2025, o Ministério da Saúde garante o exame no SUS também para mulheres de 40 a 49 anos, sob demanda, após conversa com o profissional de saúde. A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda mamografia anual a partir dos 40.

O material do INCA defende que a escolha seja informada. O exame permite localizar o tumor precocemente e tratar de forma menos agressiva, mas pode gerar alarme falso. Num exemplo com dados canadenses citado na cartilha, de mil mulheres de 50 a 59 anos examinadas a cada dois anos por sete anos, 12 recebem o diagnóstico, uma morte é evitada e 294 têm resultado falso-positivo. Quem tem risco elevado, como histórico de câncer de mama na família antes dos 50 anos, deve conversar com o médico sobre a conduta.

Reduzir o risco

Praticar atividade física, evitar bebida alcoólica e amamentar diminuem o risco, segundo a cartilha. Ela também alerta que a reposição hormonal na menopausa, sobretudo a combinada de estrogênio e progesterona, aumenta a chance da doença. O INCA calcula que cerca de 17% dos casos poderiam ser evitados com esses hábitos.

Em Presidente Prudente

O funcionalismo conta com a Lei nº 11.683/2025, conquista da organização do Sintrapp, que garante falta abonada para a realização da mamografia. A trabalhadora faz o exame sem desconto salarial e sem prejuízo funcional, o que reforça a política de cuidado e prevenção dentro do serviço público.

Além disso, a Secretaria de Saúde intensifica ao longo de outubro as ações de saúde da mulher e realiza um Dia D no sábado, 17 de outubro, em todas as unidades de saúde do município, das 7h30 às 12h30. A meta é ampliar a cobertura dos exames de rastreamento e reduzir o número de mulheres que faltam ao preventivo do colo do útero e à mamografia.

Nesse dia, as unidades farão a coleta do preventivo, com prioridade para a busca ativa de quem não faz o exame há mais de três anos, e atenderão também quem chegar sem agendamento. A mamografia será solicitada conforme a rotina de rastreamento e o que for identificado nas consultas. A programação inclui ainda testes rápidos para HIV e sífilis, orientações em sala de espera, avaliação odontológica, vacinação, aferição da pressão arterial e avaliação antropométrica. A secretaria orienta as mulheres a procurar a unidade de saúde de referência no dia 17 e deixar os cuidados em dia.

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