
O Dia Nacional da Visibilidade Trans é uma data de luta, denúncia e afirmação de direitos. Em um país que segue excluindo, violentando e matando pessoas trans, falar em visibilidade é falar em sobrevivência, dignidade e justiça social.
O Brasil ocupa, há mais de uma década, o vergonhoso posto de país que mais mata pessoas trans no mundo. De acordo com dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), em 2023 mais de 130 pessoas trans foram assassinadas, em sua maioria travestis e mulheres trans negras, pobres e periféricas. Ainda segundo a ANTRA, a expectativa de vida dessa população é de cerca de 35 anos, menos da metade da média nacional.
A violência também se expressa na exclusão do mundo do trabalho. De acordo com dados da ANTRA, cerca de 90% das travestis e mulheres trans são empurradas para a prostituição por falta de acesso à educação, à qualificação profissional e ao emprego formal. Não se trata de escolha individual, mas de uma consequência direta do preconceito estrutural e da negação de direitos.
Para a mulher trans, servidora municipal e diretora sindical Alice Capatto, responsável pela Secretaria de Assuntos LGBTQI+ do Sintrapp, a luta por visibilidade precisa se traduzir em ações concretas. “Falar em visibilidade trans é denunciar a violência estrutural que exclui pessoas trans do trabalho, da renda e do direito de existir com dignidade. No serviço público, o respeito ao nome social, à identidade de gênero e o combate ao assédio não são concessões, são direitos. O sindicato tem o dever de estar na linha de frente dessa luta.”, comenta. A diretora acrescenta que a pauta tem por objetivo reafirmar que ninguém pode ser tratado como menos humano por ser quem é.
O Sintrapp reforça seu compromisso inegociável com a defesa de todas, todos e todes os servidores municipais, independentemente de orientação sexual ou identidade de gênero porque a luta sindical não se separa da luta contra todas as formas de opressão.
Alice Capatto reforça que a inclusão no serviço público é estratégica para enfrentar a marginalização histórica: “Defender o acesso de pessoas trans ao serviço público é enfrentar diretamente a lógica que empurra essa população para a informalidade e para a violência. Um serviço público diverso fortalece as políticas públicas e salva vidas.”
O Sintrapp acredita que o serviço público deve ser porta de entrada para a cidadania plena e para a transformação social, e não um espaço que reproduz desigualdades. Um serviço público diverso é mais justo, mais humano e melhor para toda a população.
Por isso, o sindicato segue firme na luta por igualdade, respeito e direitos. 🏳️⚧️
Visibilidade Trans é compromisso com a vida, com a dignidade e com um futuro sem exclusão.



